Sim, alguns smartwatches fazem um ECG real, mas só um punhado de marcas tem o app aprovado pela Anvisa no Brasil. A maioria dos relógios que anunciam "ECG" na ficha técnica, na verdade, só mede frequência cardíaca por sensor óptico, o que é bem diferente de um eletrocardiograma de verdade.
Como funciona o ECG em um smartwatch?
Um ECG de verdade usa eletrodos: você toca o dedo na coroa ou em um ponto metálico do relógio por cerca de 30 segundos, e o aparelho fecha um circuito elétrico que registra a atividade elétrica do coração. É esse traçado que permite identificar sinais de fibrilação atrial, um tipo de arritmia comum e muitas vezes silenciosa.
Isso é diferente do sensor de frequência cardíaca (PPG) presente em praticamente todo smartwatch, que usa luz para estimar batimentos pela pele, mas não gera um traçado elétrico nem detecta arritmia com o mesmo método.
ECG do smartwatch é preciso?
Segundo estudos citados pelo InCor, a precisão na detecção de fibrilação atrial chega a 93% em alguns testes, e a sensibilidade dos algoritmos varia entre 70% e 90% conforme o estudo. São números relevantes para um dispositivo de consumo, mas ainda assim menos precisos que um ECG clínico de 12 derivações feito em hospital. Ruído, movimento e má postura do dedo no sensor também atrapalham a leitura.
Quais marcas têm ECG aprovado pela Anvisa?
No Brasil, a função de ECG só é confiável quando o software do relógio tem registro na Anvisa. Hoje isso vale para:
- Apple Watch, a partir da 4ª geração — primeiro a ser liberado no país, em 2020.
- Samsung Galaxy Watch (a partir do Watch Active2 e Watch3), via app Samsung Health Monitor.
Fora essas marcas, é raro encontrar um modelo com registro oficial para a função. Por isso, quando um relógio de outra marca anuncia "ECG" na embalagem, vale desconfiar e tratar o recurso como estimativa, não como exame validado.
Vale a pena escolher um smartwatch pelo ECG?
Depende do que você busca. Se o objetivo é acompanhar o dia a dia — passos, sono, notificações e frequência cardíaca contínua — o sensor óptico já ajuda bastante, mesmo sem ECG. Já quem tem histórico de arritmia ou quer um alerta a mais deve focar nas marcas com função validada e, de qualquer forma, procurar um cardiologista antes de qualquer decisão baseada no relógio. Para conhecer as opções de smartwatch disponíveis na loja, dá uma olhada na coleção de smartwatches.
Perguntas frequentes
Um alerta de arritmia no smartwatch já é um diagnóstico?
Não. É uma triagem. Se o relógio indicar sinal de fibrilação atrial, o próximo passo é procurar um cardiologista e fazer um ECG clínico para confirmar.
Smartwatch sem função de ECG ainda serve para cuidar do coração?
Sim. A maioria mede a frequência cardíaca continuamente pelo sensor óptico, o que já ajuda a notar picos ou quedas fora do padrão, mesmo sem gerar um traçado de ECG.
Uma atualização de software pode adicionar ECG a qualquer relógio?
Não necessariamente. ECG de verdade depende de hardware com eletrodos e de registro do app junto à Anvisa, algo que não se resolve só com uma atualização.
